MORTE COM PÃES

Comprou pães e morreu. Simples assim. Nada com a pompa de uma ópera.

Entrou na padaria, escolheu pães mais clarinhos, chegou a ter na língua seu sabor milenar, depois voltou à calçada, sentiu uma dor do lado e morreu amparado por um desconhecido.

Aquele senhor disse que ainda era bem jovem, aquela moça suspirou que era um homem bonito.

No fim a rua apagou a imagem: o óbito foi esquecido pela dureza do asfalto, alguém levou a sacola com pãezinhos.

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Sobre Sérgio Bernardo

Poeta e contista, autor de Asfalto (Selo OFF-Flip, 2010). Blog de poesia: http://tudovirapoesia.blogs.sapo.pt Twitter: @Sempoesianaoda
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Uma resposta para MORTE COM PÃES

  1. líria porto disse:

    li o teu poema premiado, passei por aqui – gosto da tua escrita!

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